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IA

Como explicar a inteligência artificial às crianças

Três ideias simples, um jogo de 10 minutos e respostas honestas às perguntas das crianças sobre inteligência artificial, dos 8 aos 14 anos.

Pela equipa Brotelo7 min de leitura

O seu filho já se cruza todos os dias com a inteligência artificial (IA): na aplicação que sugere o vídeo seguinte, no assistente de voz que liga um temporizador, no mapa que encontra o caminho mais rápido. A explicação honesta mais simples é esta: a IA é um programa de computador que aprende padrões a partir de muitos exemplos e os usa para fazer suposições sobre coisas novas. Para uma criança de 9 anos, três ideias chegam. A IA aprende com exemplos. Só é tão boa quanto esses exemplos. E pode enganar-se enquanto parece totalmente segura. Não precisa de matemática nem de programação para explicar nenhuma delas.

O que é a IA, em palavras que uma criança entende

A maioria dos programas de computador segue regras escritas por uma pessoa, passo a passo. Uma IA funciona de outra forma: as pessoas dão-lhe muitos exemplos, chamados dados, e ela encontra sozinha os padrões. Depois usa esses padrões para adivinhar algo sobre uma coisa nova. O guia da UNICEF para pais resume-o em três palavras: a IA faz previsões, recomendações e decisões.

Uma frase que funciona com a maioria das crianças de 8 e 9 anos: A IA é um programa de computador que já viu tantos exemplos que consegue adivinhar bem coisas novas.

Depois, torne-a concreta. O Parlamento Europeu enumera usos do dia a dia que as crianças vão reconhecer:

  • Recomendações: o vídeo, a música ou o jogo seguinte que uma aplicação sugere.
  • Assistentes de voz que respondem a perguntas e ajudam a organizar o dia.
  • Aplicações de tradução e legendas automáticas.
  • Aplicações de fotografia que reconhecem rostos.

Peça ao seu filho que encontre três destes exemplos em casa esta semana. Apontar para exemplos reais torna a palavra menos abstrata.

Ideia 1: a IA aprende com exemplos

Pergunte ao seu filho como distingue um gato de um cão. Vai ter dificuldade em dar uma regra («os cães são maiores» não funciona com um cão pequenino), mas quase nunca os confunde. Aprendeu com exemplos. Uma IA aprende de forma parecida, só que precisa de muitos mais exemplos e não percebe o que é um gato. Apenas encontra padrões.

As lições sobre IA do Be Internet Awesome, o programa da Google de segurança online para crianças do ensino básico, comparam isto a fazer bolos. Os dados são os ingredientes, os padrões são aquilo em que um pasteleiro repara depois de fazer muitos bolos, e a resposta é o melhor palpite da IA sobre o que vem a seguir, a que as lições chamam previsão.

Ideia 2: a IA só é tão boa quanto os seus exemplos

Se uma IA só vir fotografias de maçãs vermelhas, pode concluir que todas as maçãs são vermelhas e falhar com uma verde. O Be Internet Awesome usa precisamente este exemplo para explicar o enviesamento (bias): quando os exemplos são parciais, as respostas também são.

A UNICEF explica que o enviesamento pode vir dos pressupostos das pessoas que constroem uma IA, de preconceitos nos dados de treino ou de erros de conceção. Para as crianças, funciona uma versão mais curta: se faltam pessoas ou coisas nos exemplos, a IA pode tratá-las de forma injusta. Pratiquem a pergunta: quem ou o que pode estar a faltar?

Ideia 3: a IA pode enganar-se e parecer segura na mesma

Esta é a ideia mais importante para as crianças. As ferramentas de IA que escrevem textos ou criam imagens produzem as respostas prevendo o que é mais provável vir a seguir, com base em padrões. É por isso que uma resposta pode soar fluente e confiante e, mesmo assim, estar errada. O Be Internet Awesome mostra como isto acontece: a IA pode dar informação que não é bem verdade, perceber mal uma pergunta ou inventar afirmações que não são verdade de todo.

Ensine um único hábito, em duas perguntas tiradas dessas lições: «Como sei que isto é verdade?» e «Como posso confirmar?». Se a resposta for importante, deve ser confirmada noutra fonte ou com um adulto.

Como explicar a IA em idades diferentes

Dos 8 aos 10 anos

Mantenha a explicação concreta e curta, com exemplos do dia a dia da criança: o jogo que sugere o nível seguinte, a coluna inteligente que conta uma piada. Cinco minutos chegam; voltem ao assunto quando ela der pela IA num sítio novo.

Dois hábitos de segurança do Be Internet Awesome encaixam bem nesta idade. Primeiro: da primeira vez que usa uma aplicação, um jogo ou uma ferramenta de IA nova, a criança fá-lo com um adulto. Segundo: diz sempre a verdade sobre a idade quando cria uma conta, porque muitas aplicações e sites só dão proteções extra às crianças se souberem que o utilizador é uma criança.

Dos 11 aos 14 anos

As crianças mais velhas já conseguem perceber como funciona. Explique que um chatbot escreve prevendo, uma a uma, as palavras seguintes mais prováveis. Mostre-o com um jogo: comece uma frase, por exemplo «Ao sábado de manhã, normalmente...», e peça-lhe que adivinhe a palavra seguinte. Depois, conversem sobre a razão por que a palavra mais provável nem sempre é a verdadeira.

Esta é também a idade para falar sobre:

  • Trabalhos de casa. A IA pode explicar uma matéria de outra maneira, mas copiar as respostas dela é saltar a aprendizagem e copiar também os erros. A UNICEF sugere perguntar à escola do seu filho como usa a IA.
  • Privacidade. Combinem que nomes, moradas, o nome da escola, fotografias e palavras-passe ficam fora das conversas com a IA. A UNICEF incentiva os pais a ensinar as crianças a não partilhar mais dados do que querem ou precisam.
  • Falsificações. A IA consegue criar imagens, sons e vídeos novos. Se algo parecer chocante, convém confirmar de onde vem antes de acreditar ou partilhar.
  • Feeds. As recomendações também são IA, e a UNICEF avisa que podem criar bolhas que mostram sempre mais do mesmo. Pergunte: porque achas que a aplicação te mostrou isto?
  • «Amigos» de IA. Algumas aplicações são feitas para agir como um amigo, um mentor ou um namorado. A Common Sense Media recomenda vivamente que crianças e adolescentes com menos de 18 anos não usem de todo estes companheiros de IA. A maioria destas plataformas diz ser para adultos, mas só pede aos utilizadores que escrevam a data de nascimento.

Perguntas que as crianças fazem, com respostas curtas

A IA está viva? Pensa?

Não. Encontra padrões em dados e faz previsões. Não tem sentimentos nem desejos, mesmo quando escreve «É um prazer ajudar». Foram pessoas que a construíram, e são pessoas que decidem para que serve.

A IA pode fazer os meus trabalhos de casa?

Pode ajudar-te a perceber uma coisa, como um explicador que às vezes se engana. Se fizer o trabalho por ti, não aprendes e podes entregar os erros dela. Segue as regras da tua escola.

A IA sabe tudo?

Não. Só conhece os padrões dos dados com que aprendeu, e esses dados podem ser antigos, incompletos ou parciais. É por isso que confirmar é importante.

A IA vai ficar com os empregos todos?

Algumas tarefas vão passar a ser feitas por máquinas e muitas profissões vão mudar. A UNICEF nota que isto afeta as perspetivas de emprego das crianças e as competências de que vão precisar. Perceber como a IA funciona, e onde falha, é uma boa forma de estar preparado.

Quando intervir

O que fazer a seguir

Mantenha as conversas curtas e volte a elas sempre que o seu filho descobrir a IA num sítio novo. Se quiser atualizar os seus conhecimentos, experimente o Elements of AI, um curso online gratuito da Universidade de Helsínquia e da MinnaLearn, recomendado pelo guia da UNICEF para pais.

Para as crianças, o curso do Brotelo sobre as bases da IA transforma estas três ideias numa apresentação ilustrada de 15 minutos, com um pequeno questionário no fim. As crianças mais velhas que já usam chatbots podem continuar com o curso sobre IA e verdade, que pratica o hábito de confirmar da ideia 3.

Escrevemos este guia com a ajuda de ferramentas de inteligência artificial. Os factos que refere vêm das fontes indicadas abaixo.

Fontes e leituras complementares

  1. European Parliament: What is artificial intelligence and how is it used?europarl.europa.eu
  2. UNICEF: AI and children, AI guide for parentsunicef.org
  3. Be Internet Awesome (Google): Understanding AI, foundational AI literacy lessons for grades 2 to 8services.google.com
  4. Common Sense Media: Parents' Ultimate Guide to AI Companions and Relationshipscommonsensemedia.org
  5. European Commission and OECD: AI Literacy Framework for primary and secondary educationailiteracyframework.org
  6. Elements of AI: free online courses by the University of Helsinki and MinnaLearnelementsofai.com
  7. Better Internet for Kids: Online abuse, get help and report itbetter-internet-for-kids.europa.eu

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