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Competências para a vida

Com que idade dar o primeiro telemóvel a uma criança?

Não há idade certa. Cinco perguntas para ver se o seu filho está preparado, telemóvel simples ou smartphone e as regras a combinar desde o primeiro dia.

Pela equipa Brotelo7 min de leitura

Não existe uma idade certa para o primeiro telemóvel. A Academia Americana de Pediatria (AAP) diz que a investigação não aponta para uma idade perfeita, por isso a pergunta mais útil é se o seu filho está preparado, e se os pais estão preparados para o ajudar. Olhe para a maturidade e para a necessidade real, mais do que para a idade, trate o telemóvel e as redes sociais como duas decisões separadas e pense em começar por um telemóvel simples. Quando chegar o momento de lho entregar, configure primeiro o controlo parental e combinem juntos algumas regras logo no primeiro dia.

Porque não existe uma idade certa

Num inquérito citado pela AAP, 765 adolescentes e jovens adultos sugeriram o primeiro telemóvel entre os 12 e os 13 anos. Ainda assim, também consideraram que estar preparado tem mais a ver com o sentido de responsabilidade da própria criança, e com o facto de os pais estarem prontos para ajudar a definir regras, do que com a idade. Pais e adolescentes, nota a AAP, acreditam que a decisão deve assentar na maturidade e na necessidade prática que a criança tem de um telemóvel, à medida que ganha independência.

A pressão é real: os adolescentes dizem que não ter telemóvel pode deixá-los de fora dos planos com os amigos. Vale a pena ter isso em conta, mas não é o mesmo que estar preparado. A Childnet, uma organização britânica dedicada à segurança das crianças na internet, di-lo sem rodeios: só os pais sabem quando o filho está preparado, e a idade é uma escolha que lhes cabe. Nota também que não esperar demasiado dá mais tempo para aprenderem juntos a usar o telemóvel, antes de a criança se tornar naturalmente mais independente.

Cinco perguntas a fazer antes de decidir

  1. Porque é que quer um telemóvel? Pergunte-lhe como o usaria de facto. A AAP nota que as crianças muitas vezes querem um porque todos os outros têm, mas podem não estar preparadas para os problemas que vêm com ele.
  2. Como lida com os impulsos? O seu filho tem um forte sentido de responsabilidade, ou tende a agir antes de pensar?
  3. Como vão os dois saber que está a correr bem? Combinem de antemão o que é um uso responsável. Os exemplos da AAP: nenhuma discussão online esta semana, não espreitar o telemóvel durante as aulas.
  4. Há outras formas de manter o contacto? Se a necessidade real é passar tempo com os amigos, as videochamadas e as mensagens num tablet da família podem chegar, para já.
  5. Têm um momento habitual para conversar? As viagens de carro e as refeições funcionam bem. Se não tiverem, a AAP sugere criar uma nova rotina, para que o seu filho saiba que pode vir falar consigo.

Um telemóvel não é o mesmo que redes sociais

Ter telemóvel não tem de significar ter redes sociais. A AAP aconselha a decidir separadamente sobre o telemóvel e sobre as redes sociais, e recomenda adiar as redes sociais até aos 13 anos, porque os riscos tendem a ser maiores do que os benefícios. Os diretores médicos do Reino Unido (Chief Medical Officers) notam que a maioria das empresas de redes sociais fixa os 13 anos como idade mínima, e apoiam esse limite. Diga-o em voz alta no dia em que o telemóvel chegar: isto é um telemóvel, e as aplicações são outra conversa.

Telemóvel simples, relógio inteligente ou smartphone?

Opção O que faz A ter em conta
Telemóvel simples Só chamadas e SMS A AAP sugere pedir um à sua operadora
Relógio inteligente ou smartphone para crianças Chamadas e mensagens, com algumas aplicações ou funções bloqueadas Pode custar mais do que um telemóvel simples
Smartphone A internet, as aplicações e as redes sociais, onde quer que a criança vá Precisa de controlo parental configurado antes de o entregar

As crianças levam o telemóvel para todo o lado, lembra a AAP, da mesa de jantar à mesa de cabeceira, por isso um telemóvel pode afastar a conversa, os trabalhos de casa, o desporto ou o sono. Um telemóvel simples ou um relógio permite comunicar sem toda a bagagem digital, e pode ser mais adequado para as idades mais novas.

Um smartphone não tem de ser novo: a Childnet sugere um modelo recondicionado ou mais barato, ou um telemóvel antigo passado à criança depois de repor as definições de fábrica. Um telemóvel com o mesmo sistema operativo que o seu (Apple ou Android) torna o controlo parental mais fácil de gerir.

Configure-o antes de o entregar

O conselho da Childnet é ativar o controlo parental antes de a criança receber o telemóvel. Os dois principais sistemas já o trazem incorporado: o Tempo de ecrã da Apple, no iPhone, e o Family Link da Google, no Android, permitem aprovar novas aplicações, definir limites de tempo e períodos de inatividade e filtrar conteúdos. A AAP sugere começar devagar, com menos aplicações, sem navegador de internet e com limites de tempo mais apertados, e enumera as definições a verificar: privacidade, conteúdos, contactos, transferências e períodos de inatividade.

Um cartão pré-pago, acrescenta a Childnet, ajuda as crianças a perceber quanto custam as chamadas e os dados móveis; com um contrato, pergunte à operadora se pode definir um limite mensal de gastos. Depois, abram juntos as aplicações preferidas da criança e procurem as definições de privacidade e os botões para denunciar e bloquear. O controlo parental é um bom ponto de partida, diz a Childnet, mas o essencial é a educação.

Combinem juntos as primeiras regras

Configure o controlo parental com o seu filho, e não nas costas dele, e explique a razão de cada limite. A AAP sugere encarar o primeiro telemóvel como uma experiência: à medida que a criança mostra mais responsabilidade, ganha mais independência e passa a ter menos controlos. Algumas famílias escrevem um acordo sobre o telemóvel, nota a AAP, que às vezes inclui que um dos pais sabe a palavra-passe e vai ver as mensagens de vez em quando, para perceber se há bullying ou outros motivos de preocupação. Regras que vale a pena considerar:

  • Noites: o telemóvel dorme fora do quarto, como aconselham os diretores médicos britânicos.
  • Momentos sem telemóvel: as refeições e os trabalhos de casa, como sugere a AAP.
  • Escola: os dois respeitam as regras da escola sobre telemóveis e ecrãs.
  • Fora de casa: o telemóvel é guardado ao atravessar a rua e fica fora da vista sempre que possível.
  • Aplicações novas: pedem-se primeiro, não se descarregam sem perguntar.
  • Problemas: o seu filho conta-lhe quando alguma coisa online o preocupa, e os pais mantêm a calma.

Depois, conversem de poucas em poucas semanas sobre como está a correr.

O que muda entre os 8 e os 14 anos

Dos 8 aos 10 anos

Se a necessidade for prática, como voltar da escola para casa ou ligar do clube, um telemóvel simples ou um relógio que faz chamadas e envia mensagens pode ser tudo o que é preciso. As redes sociais não fazem parte do acordo: a AAP recomenda esperar até aos 13 anos. Se o seu filho usa um smartphone ou um tablet, a AAP sugere pedir-lhe que mostre os jogos e as aplicações de que gosta, ou informar-se sobre eles quando tiver um minuto.

Dos 11 aos 14 anos

Envolva o seu filho na escolha das regras e alivie o controlo passo a passo, à medida que ele mostra que consegue lidar com mais. Se aos 13 anos pedir para ter redes sociais, trate isso como uma nova decisão, com definições próprias e uma conversa própria. Combinem o que os pais vão verificar, e porquê, para que a confiança possa crescer nos dois sentidos.

Quando intervir e onde pedir ajuda

O que fazer a seguir

Faça as cinco perguntas esta semana, mesmo que o telemóvel ainda esteja a um ano de distância. As respostas vão dizer-lhe muito.

O curso gratuito do Brotelo sobre segurança online e uso inteligente dos ecrãs, para crianças dos 8 aos 14 anos, trabalha as competências que um primeiro telemóvel exige: palavras-passe fortes, reconhecer burlas e mensagens enganadoras, decidir o que é seguro partilhar na internet e saber o que fazer quando algo online não parece bem.

Escrevemos este guia com a ajuda de ferramentas de inteligência artificial. Os factos que refere vêm das fontes indicadas abaixo.

Fontes e leituras complementares

  1. American Academy of Pediatrics, Center of Excellence on Social Media and Youth Mental Health: Appropriate age to introduce a mobile deviceaap.org
  2. American Academy of Pediatrics (HealthyChildren.org): Your Child's First Phone, Are They Ready?healthychildren.org
  3. Childnet: Your child's first phone, a checklist for parents and carerschildnet.com
  4. UK Chief Medical Officers: Commentary on screen time and social media, with advice for parents and carersgov.uk
  5. Apple Support: Set up parental controls to manage your child's iPhone or iPadsupport.apple.com
  6. Google: Family Linkfamilies.google
  7. Better Internet for Kids: Online abuse, get help and report itbetter-internet-for-kids.europa.eu

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